segunda-feira, 8 de julho de 2013

Saber-Poder... Ciência-Religião: ressonâncias foucault-nietzschianas

HOJE FUI À CASA de um amigo; faz mais de uma, talvez, quase duas décadas que somos amigos. Ele é estudante de filosofia e eu terminando um doutorado e por isto mesmo já colecionei inimigos de todas as searas e idades. Ele, meu amigo, já é um cinquentão, mas ainda mantém aquela mentalidade juvenil de quem acabou de entrar na Caverna de Caramel (Universidade Federal da Parahyba); sem o devido preparo ele deverá ser engolido pelas bestas-feras daquela instituição. Aprendi muito rápido com o gosto amargo de fel da Academia a arte bovina: a arte de RUMINAR. Tive, por outro lado, os melhores professores que um aluno poderia ter desejado, mas nenhum encontrei na Academia. Todos mortos. Aprendi em obras poeirentas e de páginas amareliçadas, castigadas pelo tempo. 
Nosso pequeno papo foi sobre o saber e o poder e descambou para a ciência e a religião. É o tipo de assunto que faz com que desejemos uma transcendência enorme e um tempo que não dispomos. Os velhos debates a cerca de todas estas coisas terminam entre os beligerantes intelectuais quando "a/uma" verdade entre eles se estabelece - a arte da dialética socrática ainda em vigor na Academia -. De início, então, poderíamos nos questionar: "o saber gera o poder ou o poder gera o saber? A ciência de nossos dias acabou sepultando a religião e cientistas sepultando Deus. Quero dizer, exatamente, que tudo isto foi preciso. A ciência ocupou o lugar da religião oferecendo NOVAS VERDADES em relação às antigas (A idade média contra a Idade Mídia). Neste caso, parece, que a produção de um novo saber (científico) girou a roda dos poderes e, assim, fez nascer um novo poder. Mas, até aqui, para quem prestou atenção, coloquei a realidade no âmbito de sua efetiva relativização e multiexistencialidade, isto é, parti do pressuposto de que sempre ciência e religião disputaram o domínio da produção da verdade. Sabemos que nem sempre foi assim e que em outros momentos da história humana os discursos tinham outra realidade. 
NINGUÉM MAIS na Academia pode fechar os debates ou proclamar A verdade imutável (essências ou substâncias) das coisas. Este foi um golpe contra a metafísica e um pequeno golpe contra os três porquinhos clássicos da filosofia que influenciaram e formataram o modelo de pensamento ocidental: Sócrates, Platão e Aristóteles. O MURO QUE dividiu um dia os MUNDOS DE PLATÃO 'caiu'. Mas, assim como aconteceu com a MORTE DE DEUS, o muro deixou viver a sua sombra. Mas, por aí já dá pra perceber que com a queda da metafísica A verdade entrou em colapso. Não é que ela tenha se relativizado (a verdade das coisas não existe em relação); ela na verdade deixou de existir. Mas, se a verdade morreu a mentira também deixou de existir. Por exemplo, não posso dizer - afirmar ou negar, que seja falso ou verdadeiro - que a homossexualidade, como disse um pastor de Campina Grande, é causada por consumo de asa de galinha ou consumo de galeto. Não posso dizer que a sua TEORIA DO GALETO esteja certa ou errada, que seja verdadeira ou falsa/mentirosa. A ciência irá contrapor seus argumentos e isto é evidente. Isto também já aconteceu no passado com relação às endocrinopatias e à etiologias psíquicas aventadas pela psicanálise e psiquiatria, etc. 
COMO, ENTÃO, entender o mundo que me/nos cerca sem este binarismo das ideias, sem este maniqueísmo que durante séculos, milênios nos deu esteio e nos alimentou e ainda continua fortemente a nos alimentar? A nova fisiologia do corpo, a nova fisiologia do olhar já não se acha mais presa a esta meninice do conhecimento de "antigamente" que procurava descobrir nas afirmações ou negações "do outro" os elementos comprobatórios daquilo que se afirmava ou se negava, ou seja, era a busca do "si mesmo" ou do "em-si" que norteavam as pesquisas, os pesquisadores e os beligerantes intelectuais em suas atividades de final de semana. Se para a TEORIA DO GALETO o excesso de hormônios injetados nas asas dos fragos e consumidos por nossas crianças é o responsável direto pela etiologia (causa) da homossexualidade (em uma formação discursiva, a produção de uma verdade por este mecanismo de produção [a religião]) encontrará na ciência e em seus milicos e militantes a resposta a altura em um certo tom de deboche e descrença, uma vez que, o mecanismo de PRODUÇÃO DA VERDADE inventado/criado/mantido pela ciência é muito mais poderoso, porque na pesquisa realizada por um cientista qualquer a verdade daquele discurso religioso não é encontrada, logo desacreditada, descartada e no lugar desta verdade o cientista pautará uma nova e dominará este campo. A ciência faz seu julgamento conforme os parâmetros que ela mesma elaborou para caracterizar a verdade e a falsidade, ou seja, um juiz julgando seus próprios métodos.
PERCEBE-SE melhor agora que A verdade - bem como suas derivadas - não existem "para si" ou "em-si" mesma; elas são INVENTADAS, PRODUZIDAS, CONFECCIONADAS para justificar, manter, criar poderes antigos e novos. HÁ seis anos passei a desconfiar dos acadêmicos, dos cientistas, dos pesquisadores e a desconfiar de mim mesmo. E entrei num novo TURBILHÃO de indagações, questionamentos; desfiliei-me das corretes teóricas e passei a gozar das taradonas metologias das pesquisas científicas que COMEÇAM POR ZOMBAR do pesquisador o CATAPULTANDO para jaulas de ferro: é o "tudo dominado" da ciência e de sua apologética. Não existe conhecimento puro - não chegamos, talvez, não chegaremos a este avanço epistemológico -. A natureza do conhecimento (saber-poder) já nos adverte os abismos perigosos que vamos entrar. Entrar na lógica das produções de saber significa dispor da POTÊNCIA que ainda podemos "livremente" investir. 
NA ACADÊMIA e nos trabalhos metologicamente aplicados - principalmente, aqueles produzidos pelas ciências humanas e sociais - a confusão que se faz entre PODER e POTÊNCIA é de uma lástima sem precedentes. Um dia dedico-me a falar um pouco desta confusão que NOIA a cabeça de nossos pesquisadores mais aguerridos.
AQUI ESTÁ, caro amigo, a tradução genérica do nosso papo. Té mais. Tenho dito!

EU SOU PASSIVA: Declaração de guerra contra Silas Malafaia, Edi Marcedo, Jair Bolsonaro e a homofobia



Eu sou passiva
mas meto bala
se vier tapar meu cu
com a sua bíblia
 eu meto bala
Silas Malafaia
ama o gay como ao bandido
então ele me ama em dobro
que sou gay e sou bandida
 Eu sou gay e sou bandida
mas não transo o Malafaia
Não dou bola pro fascismo...
Não tolero homofobia...
E se vier mexer comigo... (barulho de tiros)
Eu sou passiva
mas meto bala
se vier tapar meu cu
com a sua bíblia
eu meto bala
Infeliciano
diz que bichice tem cura
mas se vier me curar
ele é quem vai tomar uma curra
Sou passiva violenta
tô armada e meto bala
Essa é uma declaração de guerra
das bichas do terceiro mundo
SI NO PODEMOS SER VIOLENTA NO ES NUESTRA REVOLUCIÓN (Ludditas Sexxxuais, na voz de Pedro Costa)
Eu sou passiva mas
meto bala
se vier tapar meu cu
com a sua bíblia
eu meto bala
Jair Bolsonaro
fala mal das prostitutas
mas se tranca no motel
e vai beber água de chuca
Vai, Edir Macedo, deixa de ser recalcada
Vai, viado, se liberta
Abre o edi e vem pra festa
 Eu sou passiva
mas meto bala
se vier tapar meu cu
com a sua bíblia
eu meto bala