sábado, 25 de setembro de 2010

Mulher Melão e Tiririca: Política, Humor ou Fuleragem?



Em um de seus programas eleitorais nos indaga o humorista Tiririca, então, candidato a uma vaga na Câmara Federal: “O que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei, mas vote em mim que eu te conto”. Sacada de humor inteligente, faz-nos questionar por que um humorista tão bem sucedido como ele deseja eleger-se a um cargo que, em tese, pode até atrapalhar a sua carreira artística. Talvez, assalte-nos de imediato a idéia de que sendo deputado federal a grana correrá solta, as facilidades, o prestígio, sobretudo, o poder. Talvez, imaginemos que na mente do humorista, como na mente de "O avarento" de Molière, não haja mais espaço para pensar em qualquer outra coisa a não ser no dinheiro e no poder; que o Tiririca, de repente, demonstra ser um maquiavélico no sentido pejorativo que dão a esta palavra, enfim. Mas, mais do que isto, claro, nos agita o preconceito, nos desordena a imagem poética e consagrada de que na "Casa do Povo" só os afortunados, os intelectuais, os ricos podem ocupar espaço, então, veem-nos novamente a mente a idéia de que política é coisa séria e a consequência direta, imediata disto é que pobre, humoristas, sacanas, putas, sadomazoquistas, dançarinas, etc., "não podem" candidatar-se a uma vaga em qualquer das instâncias do poder institucional. Veem-nos, novamente, aquela imagem pura, branca (racista, preconceituosa) de que o poder tem de ser alvo, limpíssimo (projeto ficha limpa atinge para além dos devedores da justiça a conduta moral ilibada excluindo todos os aqueles que não vivem segundo os preceitos morais da sociedade), portanto, negros no poder seria uma temeridade, outra vez, portanto, o conservadorismo e o moralismo. Não é à toa, portanto, que no Horário Eleitoral Gratuito (para muitos Hilário Eleitoral Pago), os políticos aqui na Paraíba gritem palavras de ordem tais como "Pela família, contra a lei da mordaça (PLC 122: Lei que penaliza homofóbicos), pela moral, pelos bons costumes", enfim, o reprodutivismo moral aceito, mas que na seara da intimidade o vale tudo é descoberto pelas mídias, pelas informações, por um simples aparelho celular com câmera. Será que já não nos basta os exemplos, a truculência com que se tratam políticos adversários de modo tão incivilizado; será que já não nos basta a falta de propostas, e mais do que simples propostas, ações, efetividade nas ações? Não sorrir de nós o humorista de modo muito inteligente quando diz que "não sabe o que um deputado federal faz" e mais do que sorrir, com seu humor inteligente, não nos faz pensar sobre as armadilhas do preconceito, do moralismo? E o que dizer, então da Mulher Melão? Uma mulher dançaria que, de uma forma ou de outra, presa e liberta das correntes moralistas, criticada por universitários de direita e de esquerda, graça dos marmanjos, dos donzelões por conta de seus melões (seios fartos) hoje é candidata a deputada estadual pelo Estado do Rio. É lícito que uma mulher, a Mulher Melão seja eleita? Então, perguntamo-nos todos: o que uma mulher como a Melão poderá fazer pelo coletivo? E a pergunta é: alguém no Brasil quando sai candidat@ pensa no coletivo? Então, o que dizer de figuras eminentes como Fernando Henrique Cardoso (prof. Doutor em Sociologia, famoso por suas obras intelectuais), Fernando Collor de Mello (outro Fernando), Itamar Franco, etc... De Prudente de Moares a Lula, por todos os reveses que a política brasileira já passou, enfrentando dois regimes ditatorias (Vargas e os Militares a partir de 1964) e agora um fascismo midiático,  por que, então, imaginamos que a política tem de ser de cabresto, que a democracia tem de ser branca, machista, sexista, moralista em seus fundamentos? Claro, as vozes reacionárias dirão que lugar de Melão é na feira e que humorista tem de ficar na televisão fazendo-nos sorrir com piadas sem graça enquanto os rumos políticos, econômicos do país devem estar nas mãos de quem se preparou para isto, novamente, o poder e o saber institucionalizados inventando e legitimando mecanismos, estratégias de consolidação de si mesmos. Fizeram-nos crer que só existe um tipo de saber e só através deste é que podemos realizar nossos projetos. Bem, para terminar, e só para registrar, ouvi de um professor universitário, colega meu, que Tiririca, Mulher Melão e aqui na Paraíba os candidatos Cabrito, Calaço dos Correios, Gilson Ferreira e outras personalidades engraçadas não deveriam chegar ao poder, pois eles não saberiam o que fazer. Claro, este amigo preferia candidatos mais comprometidos com a coletividade como o Severino Cavalcanti, Fernando Henrique Cardoso, Antônio Carlos Magalhães (que Deus o tenha) e o Senhor do Bonfim que o acompanhe. Amém!




É Política ou Futebol?

Os últimos acontecimentos desta eleição 2010 tanto em nível estadual (Maranhão X Ricardo) como em nível federal (Serra X Dilma) está causando. A grande imprensa todos os dias chuta a bola para o escanteio enquanto a pancadaria em meio de campo é a tônica. Depois do último escândalo envolvendo a ministra chefe da Casa Civil (Erenice Guerra), o que lhe custou a "cabeça", agora foi a vez do barraco promovido pelos eminentes desembargadores do Supremo Tribunal Federal (STF). Nem lá na Suprema Corte este jogo político (Ficha Limpa X Ficha Suja) surtiu algum efeito com a desculpa que o eminente ex-ministro Eros Grau estava aposentado e, portanto, o então ministro presidente não se sentindo um "déspota esclarecido" fechou um julgamento sem resultado e sem prazo para finalizá-lo; a menos que, o presidente Lula nomeie às pressas um novo ministro para ocupar a vacância deixada pelo, então, ministro Eros Roberto Grau, teremos um desempate. Bem, meus amigos, o fato é que a confusão é geral. Maranhistas não se entendem com Ricardistas, Serristas não se entendem com Dilmistas, os ministros da Suprema Corte de Justiça também racharam e foram 5 para cada lado. Cá para nós, isto não lembra uma partida final de Vasco e Flamengo duelando por mais um título do brasileirão? Enquanto isto, nós, os brasileirinhos, vendo tudo isto acontecendo e nós aqui na net "dando milho aos pombos". Tomara que ao final a TV Blobo não nos brinde com imagens dantescas, com sangue escorrendo na tela.




Política X Verdade


O jornalista Agnaldo Almeida publicou no portal de política de Fabiano Gomes (http://www.politicapb.com.br/) uma matéria intitulada "As pesquisas na hora da verdade" e eu vou tomar a liberdade de reproduzir um trecho aqui que diz que 

"Aqui na Paraíba os leitores já começam a perceber que a hora da verdade está chegando. Há informações de que os responsáveis pelas próximas pesquisas estão botando o pé no freio, baseado naquele princípio de que não dá pra enganar a todos durante todo o tempo."

Evidente que o jornalista não tem a preocupação de indagar o que a verdade é, pois seria muita filosofia para um portal de notícias políticas. Mas, podemos nós, os leitores, indagar-nos, pelo menos, qual a natureza da "verdade" que Agnaldo Almeida faz alusão. Verdade que os portais políticos escondem, não arriscam a levantar o tapete a fim de que possamos descobrir a FICHA SUJÍSSIMA que ele esconde. A verdade, ao que me parece, é só uma: voto compulsório (a justiça eleitoral arrumou um termo mais JUSTO: obrigratório) que antagoniza com a liberdade popular da democracia (princípio da liberdade, princípio da contradição); pedem para que o eleitor se conscientize das mazelas políticas do Estado, dos maus políticos, e na contramão nos obrigam a votar, compulsoriamente (obrigatoriamente); pedem para que analisemos a vida pregressa de nossos candidatos quando o que chamamos POVO sequer saber distinguir Tomé de Bebé; pedem para que não negociemos o nosso voto, mas nada fazem com as negociatas de gabinete dos partidos políticos, dos conchavões, das coligações, dos usos e abusos da máquina pública tão evidente; criminalizar, pois, o voto do mais humilde, do mais pobre PODE, pois negociar  o voto nesta instância é ilegal, mas fechamos os olhos quando o assunto é a negociação dos partidos, do troca-troca político-partidário cujo fim único é o próprio interesse. Bem, a verdade é esta Agnaldo. A verdade é que o negócio do pobre é criminoso e o negócio do rico é político!






 

A política se Traveste

Fernanda Benvenutti diz no horário eleitoral que é uma "cidadã travesti e uma profissional da saúde". Se ganhar a eleição para deputada estadual terá a oportunidade de dar voz às MAIORIAS silenciadas já que ela mesma diz no seu guia eleitoral que representa "a voz de todas as bandeiras". Enfrentará uma forte oposição sexista, caso seja eleita e, talvez, não consiga aprovar nenhum projeto, a menos, claro, que tenha um grande poder de barganha na AL e, neste caso, tanto com os aliados quanto com os adversários. Sinceramente, seria bastante interessante ter uma mulher como Fernanda Benvenutti na Câmara Estadual.  O mal de Fernada, talvez, seja estar do lado de uma representação política indiferente aos projetos que ela defende/rá. O que Fernanda Benvenutti poderá esperar de uma bancada governista patriarcalista, coronelista, caso José Maranhão seja re-eleito? Bem, que pelo menos seja aprovado na Assembléia, caso de sua vitória, um projeto que dê oportunidade inicial das travestis da Paraíba se hormonizarem. Hormônios gratuitos para todas as travestis distribuídos nos postos de saúde e nas clínicas médicas do Estado da Paraíba. Já terá valido a pena e o Estado já terá devolvido, em parte, a contribuição tributária compulsória a que todo cidadão/cidadã e as travestis, em particular, são obrigadas a pagar.