sábado, 30 de outubro de 2010

Cu Pára

Muito bom!

Fracos!

O debate de ontem na TV Globo (presidenciáveis) decepcionou a quem esperava um banho de sangue. Mas, surpreendeu a quem esperava um pouco mais dos candidatos em relação às suas idéias a respeito de dois temas relevantes: segurança pública e drogas. Ou deram uma de "doidos" ou de fato não sabiam patavinas do que estavam falando. A primeira coisa que percebi é que Dilma (PT) e Serra (PSDB) infantilizaram as respostas sobre as drogas. Tanto Serra quanto Dilma concordaram que a causa do aumento de pessoas usuárias de drogas, pelo menos uma delas, talvez, ao seu pensar, a mais importante, seja problemas de fronteiras entre os países. Que sacanas os nossos presidenciáveis! E o combate,então, seria muito simples: vigilância nas fronteiras. Novamente, a repressão volta à tona em seus discursos alimentando a violência e o poder do Estado. As drogas foram colocadas como causa dos nossos problemas sociais é ou não é infantilizar as explicações, reencantar os problemas e debochar da inteligência do eleitor? As drogas "não" constituem per se um problema social, isto é, não é o fundamento dos problemas sociais do povo brasileiro, na verdade, a contribuição dela - da droga - é até mínima quando comparada com os índices sociais de subdesenvolvimento. Péssimas condições nas escolas, falta de material de trabalho nas repartições, funcionários e professores mal remunerados não são patrocínios dos traficantes, nem encaminhamentos dado por "mulas, aviõezinhos, etc"; má distribuição de renda, inflação tributária, incentivos fiscais a mega-empresários, sonegação fiscal, isto tudo e outros mais não são problemas gerados pelo consumo de drogas, não é tecnologia de traficante. Enfim, é preciso afastar-nos de explicações simplistas, de conteúdo repressor. Também não podemos setorizar os problemas para podermos solucioná-los. Não bastaria aumentarmos - o que seria uma justiça - os salários dos professores e funcionários, equiparmos as escolas com alta tecnologia, aperfeiçoarmos o aparelho de Estado em relação à educação se na base, onde tudo começa e onde tudo tende a terminar - a casa do cidadão - ele não tem subsídios mínimos para sua sobrevivência - nalguns casos sub-existência -. É preciso distribuir a renda, encararmos a reforma tributária de modo sério, sem temeridades, fim da repressão do Estado e  da criminalização da pobreza. É preciso acabar com o discurso elitista de Serra, por exemplo, quando indagado sobre seus projetos para educação ele diz: "Educação é futuro". Discordo da afirmação do presidenciável. Educação no Brasil é urgência urgentíssima - mas, também é preciso dessacralizarmos a idéia de que a educação é a razão efetiva e sensível de desenvolvimento econômico de um país, pois, fosse isto uma verdade, com os baixos níveis de educação do povo brasileiro o Brasil não estava no ranque das potências econômicas mundiais em 8º lugar -. Mas, como dito antes, não basta elevar o piso salarial dos professores - como dito antes também uma necessidade -, é preciso distribuir as riquezas do país, fazer com que a carga tributária seja proporcional, enfim. Dilma disse que, em relação aos problemas que a educação vem enfrentando no Brasil, isto é,  os baixos níveis educacionais é culpa dos "baixos salários". Bastava tão somente o presidente, governadores e prefeitos seguidos pela malha privada de educação aumentar os vencimentos dos professores. Imbecilidade da Dilma, joguete fácil, falácia política. Não vou, portanto, delongar-me neste post por já conter a 'essência' das minhas opiniões. Mas, só um adendo, falar em segurança como falam os nossos presidenciáveis - cuja base é a violência do Estado - não é o melhor caminho, uma vez que, quando se fala em segurança pública tendemos a reduzir o termo ao medo da violência social que se espalha no país como um todo; não pensamos em segurança pública como segurança alimentar, como segurança ontológica, segurança financeira (o que implica na distribuição das riquezas), como segurança de saúde, etc. Tendemos a infantilizar as explicações e a idiotizar as respostas e indagações. Quem ganhar amanhã estas eleições para presidente terá de enfrentar todos estes problemas. Se Dilma ou Serra - seja lá quem ganhar - levar suas idéias a frente como colocadas no debate teremos quase ou nenhuma mudança nos níveis de qualidade de vida, de segurança e educação do Brasil. Permaneceremos, nós, os brasileiros, deitados eternamente em berço esplêndido ao som do mar e à luz do céu profundos.