Mãos na orelhinha. Calibre 38. Dona Celina é a dona do pequeno bistrô. Olha sem veemência para um velho alfaiate que lhe corteja a sorte.
- Seja razoável... Apenas uma oportunidadezinha!
Nos porões da casa Lala e Anita no róseo telúrico do amor. Duas gaivotinhas flutuando sobre os jardins suspensos da Babilônia. Se lhe desse um beijo, cantava à medieval. Nada de mais duas mocinhas roçando nas artes do bem, do amor.
- Não sei o que me dar... Tua boca me amarra, teus seios - estas duas mimosas florzinhas, este dois bijourzinhos que são os teus mamilos, Lala... Que Deus me freie os instintos loucos!
O abajur fosfóreo lambendo as perninhas delicadas de Anita. Silhueta perfeita grudada como visgo na parede, presa à doce e dolorosa paixão. No salão o velho alfaiate insiste com a dona do bistrô:
- Quem pensa que sou? Faço a senhora feliz, arrumo a sua vida, dou-lhe de tudo quanto queira, mas por favor...
Peito com peito, de repente, mamilozinhos em riste dos olhos, descendo até a boca, dois surdos gemidinhos de gozo, arrepio na silhueta perfeita de Anita. Quartinho de porão, recanto das abelhas mestras, rainhas, mel d'uruçu, lambente, ó, doce pavio de ninar.
(Este é um continho do meu livro "Contos da Cidade Baixa", espero que agrade)
Um comentário:
Eu gostei da leitura.
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